Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública
Notícia
Professora da Bahiana é aprovada em estágio de pós-doutoramento na Universidade de São Paulo
A Dra. Jaqueline Góes de Jesus irá desenvolver um projeto sobre doenças infecciosas.
Cada dia que passa, os professores da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública demonstram mais as suas habilidades para a pesquisa na área de saúde. A mais recente comprovação disso é a conquista da professora de Biomedicina Dra. Jaqueline Góes de Jesus, que conseguiu a aprovação de seu estágio de pós-doutoramento na Universidade de São Paulo (USP).
 
A Bahiana entrevistou a Dra. Jaqueline de Jesus para entender mais sobre o seu projeto de estudo e como essa conquista contribui para a sua trajetória acadêmica.
 

Bahiana: Qual é o pós-doutorado que a senhora vai cursar?
 
Jaqueline Góes de Jesus – Como estágio de pós-doutoramento, estou desenvolvendo o projeto “Modelagem da dispersão espaço-temporal de arbovírus emergentes, usando fontes de dados heterogêneas no Estado de São Paulo”, como bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), sob coordenação da Dra. Ester Sabino, no Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP).
 
Bahiana: Qual é a linha de pesquisa e o que será estudado?
 
Jaqueline Góes de Jesus – A linha de pesquisa é Clínica Médica na especialidade Doenças Infecciosas e Parasitárias, especificamente em arboviroses dentro do CADDE (http://caddecentre.org). As arboviroses são infecções virais causadas pelos vírus transmitidos por mosquitos vetores e que têm trazido grande preocupação para os setores de saúde pública. Recentemente, o Brasil vivenciou um cenário de surtos, causado pelas emergências dos vírus Zika e Chikungunya, aliado à reemergência do vírus da febre amarela.
 
Considerando que a epidemia causada pelo ZIKV é concorrente à causada pelo CHIKV e que a reemergência do YFV alertou para o risco do reestabelecimento da transmissão urbana, a rápida identificação dos vírus e o conhecimento de seus genomas, bem como sobre a ocorrência e viabilidade dos vetores associados, tornaram-se estratégias cruciais para o monitoramento da diversidade e dispersão virais. 
 
Dessa forma, este projeto tem como objetivo estudar fatores ecológicos e epidemiológicos da dispersão e distribuição silvática dos arbovírus no tempo e no espaço, a partir de uma grande variedade de fontes (casos humanos, vetores hospedeiros, vertebrados, etc.) em vários locais importantes no estado de São Paulo para estudar a filogeografia e o relógio molecular em conjunto com descritores ecológicos.
 
Bahiana: Como se sente com essa mudança na sua vida?
 
Jaqueline Góes de Jesus – Minha história com a pesquisa se iniciou muito cedo, desde os primeiros semestres da graduação em Biomedicina (cursada na Bahiana) e como estudante de Iniciação Científica. Então, fui me envolvendo, cada vez mais, me estabelecendo na área acadêmica, com o mestrado, que foi seguido pelo doutorado, recentemente premiada como a melhor tese do Prêmio Gonçalo Moniz na categoria Egresso da Pós-Graduação em Patologia Humana na Fiocruz/Bahia.
 
Quando estava finalizando o mestrado, voltei à Bahiana, dessa vez como docente de Biomedicina e me senti extremamente realizada e também responsável por transmitir o conhecimento aprofundado durante a pós-graduação.
 
Com esse pensamento, sempre incentivei os estudantes que, de alguma forma, se mostravam interessados pela área da ciência, seja com exemplos de atuação em sala de aula, seja com a divulgação de oportunidades e da minha própria atuação nos projetos de impacto para a saúde pública, como o projeto Zibra (http://zibraproject.org) e, mais recentemente, os projeto do CADDE (http://caddecentre.org).
 
Nós professores, pelo contato direto com os estudantes, conseguimos ter um feedback em tempo real, tanto do processo de aprendizado quanto da inspiração que provocamos neles.  Quando fui aprovada no processo seletivo, após conversar com a Coordenação, na figura do professor Geraldo Ferraro, também comuniquei aos estudantes mais próximos as mudanças que vivenciaria, não só na troca de cidade como também nas perspectivas dentro da área científica. O que pude perceber, pelos comentários que recebo até hoje, é que eles se sentem muito motivados a seguir a carreira científica pelos exemplos que eles têm não apenas de mim, mas dos outros professores biomédicos, formados pela Bahiana e que atuam igualmente na pesquisa científica.
 
Trabalhar na USP, que é uma das instituições mais produtivas em pesquisa da América Latina, e em parceria com as Universidades de Oxford e Birmingham, tem sido uma experiência enriquecedora. O desenvolvimento do pós-doutorado tem oportunizado o meu aprimoramento como cientista de forma mais essencial, sendo, de fato, um treinamento para que, futuramente, eu possa desenvolver as minhas pesquisas, se possível associada à docência na própria Bahiana.